deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia"
Al Berto



Sophia de Mello Breyner


"Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós
He remembers forgotten beauty
" Era uma vez...um menino solitário k habitava os oceanos á noite e de dia sonhava com desertos.Algures nos confins da América do sul viveu feliz para sempre.
A menina andava sempre descalça, tinha um vestido tecido com cordões de sapatos e era luz no Abismo.Ouvia o eco dizer-lhe que ela vivia no fim das histórias contadas por um menino que as pessoas que se esqueceram dos sonhos diziam louco. A cada segundo precipitava o seu corpo, ora para um lado, ora para o outro, e nesses voos vertiginosos percorria a tela das profundezas do seu ser e ia retocando a pintura da essência aguçada das suas coisas, palavras, sons.E o fora e o dentro misturavam-se, confundiam-se, espelhavam-se numa linha de horizonte que era uma janela, que era a menina. Do lado de dentro via a noite habitada por oceanos e do lado de fora via dias habitados por desertos.
Era uma vez... uma menina solitária que habitava um parapeito de uma janela.
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Era uma vez...muitas vezes,uma menina solitária que habitava um parapeito de uma janela horas a fio balouçando trémula sobre a fragilidade de um murmúrio trazido pelo vento.Olha a menina a dançar, olha a roleta a rolar-mistérios da sorte e do azar...Um ruido que se alastra, um silêncio...um grito;tudo se acelera a uma velocidade avassaladora,desprende se o corpo num movimento sem fim sobre o frémito escaldante do desejo.Vozes cintilantes percorrem furiosas o asfalto traçando mapas que um dia uma menina perdida no estranho labirinto das maravilhas...ousou criar..





"Que importa se a distância estende entre léguas e léguas
Que importa se existe entre nós muitas montanhas?
O mesmo céu nos cobre
E a mesma terra liga nossos pés.
No céu e na terra é a tua carne que palpita
Em tudo eu sinto e teu olhar se desdobrando.
Na carícia violenta do teu beijo,
Que importa a distância e que importa a montanha
Se és tu a extenção da carne
Sempre presente?"
(Vinícius de Moraes)



"Come chocolates, pequena;



