terça-feira, 25 de Novembro de 2008

"E ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia"

Al Berto

domingo, 16 de Novembro de 2008


Canção dos abraços

"São dois braços, são dois braços
servem pra dar um abraço
assim como quarto braços
servem para dar dois abraços

E assim por aí fora
até que quando for a hora
vão ser tantos os abraços
que não vão chegar os braços

Vão ser tantos os abraços
que não vão chegar os braços
prós abraços "

Sérgio Godinho
website stats

terça-feira, 11 de Novembro de 2008


"Estava eu sentado, perto do mar, a ouvir com pouca atenção um amigo meu que falava arrebatadamente de um assunto qualquer, que me era apenas fastidioso. Sem ter consciência disso, pus-me a olhar para uma pequena quantidade de areia que entretanto apanhara com a mão; de súbito vi a beleza requintada de cada um daqueles pequenos grãos; apercebia-me de que cada pequena partícula, em vez de ser desinteressante, era feito de acordo com um padrão geométrico perfeito, com ângulos bem definidos, cada um deles dardejando uma luz intensa; cada um daqueles pequenos cristais tinha o brilho de um arco-íris... Os raios atravessavam-se uns aos outros, constituindo pequenos padrões, duma beleza tal que me deixava sem respiração... Foi então que, subitamente, a minha consciência como que se iluminou por dentro e percebi, duma forma viva, que todo o universo é feito de partículas de material, partículas que por mais desinteressantes ou desprovidas de vida que possam parecer, nunca deixam de estar carregadas daquela beleza intensa e vital. Durante um segundo ou dois, o mundo pareceu-me uma chama de glória. E uma vez extinta essa chama, ficou-me qualquer coisa que junca mais esqueci que me faz pensar constantemente na beleza que encerra cada um dos mais ínfimos fragmentos de matéria à nossa volta. "

Aldous Huxley

Que bonitas são as coisas simples!

website stats

quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

http://xkcd.com/

website stats

domingo, 2 de Novembro de 2008



"De olhos na falésia, espera pelo vento,
ele dá-te a direcção."

Vou. Parto sem mapas, sigo o vento. Perco a conta às viagens e são sempre de menos. Perco-me nas idas e nos regresos e já não sei qual é a partida e qual é a chegada, fundem-se e confundem-se os pontos, as linhas, os caminhos e os horizontes. Não sei onde principio e onde me torno finita. Que importam as definições? Quero ser sem definição. Às vezes quero até nem existir, porque o que não existe não tem fim. As partidas são regressos e os regressos são ponte para nova estrada. Que pena não ter perdido este autocarro... Muitos outros tenho à espera para perder, só para meu prazer.
Quando volto? Volto hoje, sempre hoje.

Gosto da espuma branca das ondas, quando se desfazem na palma de meus pés descalços.
E gosto quando o mar puxa de novo para si a água das ondas desfeitas e a areia foge debaixo de meus pés.


website stats


website stats "Se eu largar eu sinto a sua falta
Se eu agarro ela perde a cor
Ela não é dos meus dedos
é dos meus medos
e faço-me passar por uma flor..."

segunda-feira, 13 de Outubro de 2008


Pirata
Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.

Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.

A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.
                        Sophia de Mello Breyner
Hoje o mar és tu.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~


website stats

domingo, 12 de Outubro de 2008


Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.
Albert Einstein
A
b
s
u
r
d
e
m
o
s

a vida
de leste
a oeste.
Bernardo Soares

quarta-feira, 16 de Julho de 2008



"De profundis amamus

Ontem
às onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
ficámos para perder
todos os teus eléctricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria

Andámos
dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros

Olha
como só tu sabes olhar
a rua os costumes

O Público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso
Não faz mal abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados maravilhosos únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso"
Mário Cesariny

quarta-feira, 28 de Maio de 2008


"Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim."

Cecilia Meireles


website stats

segunda-feira, 31 de Março de 2008



Fecho os olhos.
Gosto de caminhar assim, de olhos fechados, a teu lado.
Abraço a tua mão, bússola na mia mão.
Os meus passos percorrendo o mapa de teus passos.
De olhos fechados, com a mia mão na tua, sigo o trilho da tua respiração por todas as ruas de todas as terras, faço todas as viagens possíveis e impossíveis de imaginar nas linhas dos teus dedos..
De olhos fechados deixo-me voar, à deriva, no vento que me afaga o rosto e que me leva para além da atmosfera terrestre..
De olhos fechados sinto à mia volta o teu perfume de espuma das ondas de todos os mares, misturada com sal e areia fina.. E embarcamos no nosso barquinho à vela, à deriva pelo azul de nós..
Abro os olhos... e vejo-te à mia volta...

Vejo muito mais de olhos fechados do que todos os olhos que olham..



website stats

domingo, 17 de Fevereiro de 2008


“Nenhum de nós sabe o que existe e o que não existe.
Vivemos de palavras. Vamos até à cova com palavras.
Submetem-nos, subjugam-nos.
Pesam toneladas, têm a espessura de montanhas.
São as palavras que nos contêm, são as palavras que nos conduzem.
Mas há momentos em que cada um redobra de proporções,
há momentos em que a vida se me afigura iluminada por outra claridade.
Há momentos em que cada um grita:
Eu não vivi! Eu não vivi! Eu não vivi!
Há momentos em que deparamos com outra figura maior, que nos mete medo.
A vida é só isto? “

Raul Brandão
website stats

sábado, 16 de Fevereiro de 2008

"Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Fernando Pessoa

terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008


Mar

Na melancolia de teus olhos
Eu sinto a noite se inclinar
E ouço as cantigas antigas
Do mar.

Nos frios espaços de teus braços
Eu me perco em carícias de água
E durmo escutando em vão
O silêncio.

E anseio em teu misterioso seio
Na atonia das ondas redondas
Náufrago entregue ao fluxo forte
Da morte.

Vinicius de Moraes

website stats

Diamond day


Just another diamond day
Just a blade of grass
Just another bale of hay
And the horses pass.

Just another field to plough
Just a grain of wheat
Just a sack of seed to sow
And the children eat.

Just another life to live
Just a word to say
Just another love to give
And a diamond day

Vashti Bunyan

domingo, 20 de Janeiro de 2008

He remembers forgotten beauty
      "When my arms wrap you round I press
      My heart upon the loveliness
      That has long faded from the world;
      The jewelled crowns that kings have hurled
      In shadowy pools, when armies fled;
      The love-tales wrought with silken thread
      By dreaming ladies upon cloth
      That has made fat the murderous moth;
      The roses that of old time were
      Woven by ladies in their hair,
      The dew-cold lilies ladies bore
      Through many a sacred corridor
      Where such grey clouds of incense rose
      That only God's eyes did not close:
      For that pale breast and lingering hand
      Come from a more dream-heavy land,
      A more dream-heavy hour than this;
      And when you sigh from kiss to kiss
      I hear white Beauty sighing, too,
      For hours when all must fade like dew,
      But flame on flame, and deep on deep,
      Throne over throne where in half sleep,
      Their swords upon their iron knees,
      Brood her high lonely mysteries."
W. B. Yeats

quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

website stats
" O meu amor por ti já não é uma palavra:
Nunca o foi
É um osso por dentro.
Uma forma de o sangue chegar aos gestos
Com um ritmo de flores.
Outra lua não tenho
Que não seja a tua.
E outra noite não quero
Que não seja a tua noite.
Eu coleccionarei os teus morcegos:
Farei deles estrelas ao contrário. "
" Era uma vez...um menino solitário k habitava os oceanos á noite e de dia sonhava com desertos.
Nao interessava se era noite ou dia, era a vertigem que o alimentava...
Percorria as profundezas ao infimo pormenor para depois incorporar uma leveza tal que lhe possibilitasse o deslize, a uma velocidade estonteante, pela superficie aguçada das coisas e das palavras, dos sons. Depois ouviram no contar histórias, curiosamente começava sempre pelo fim, os ultimos boatos dizem no louco, parece que se encantou pela beleza de um cordão de sapatos e pela espantosa clareza do abismo. foi visto pela ultima vez nos confins da América do sul. "

Bruno F
_______________________________________________________

Algures nos confins da América do sul viveu feliz para sempre.

A menina andava sempre descalça, tinha um vestido tecido com cordões de sapatos e era luz no Abismo.Ouvia o eco dizer-lhe que ela vivia no fim das histórias contadas por um menino que as pessoas que se esqueceram dos sonhos diziam louco. A cada segundo precipitava o seu corpo, ora para um lado, ora para o outro, e nesses voos vertiginosos percorria a tela das profundezas do seu ser e ia retocando a pintura da essência aguçada das suas coisas, palavras, sons.E o fora e o dentro misturavam-se, confundiam-se, espelhavam-se numa linha de horizonte que era uma janela, que era a menina. Do lado de dentro via a noite habitada por oceanos e do lado de fora via dias habitados por desertos.

Era uma vez... uma menina solitária que habitava um parapeito de uma janela.
__________________________________________________________

Era uma vez...muitas vezes,uma menina solitária que habitava um parapeito de uma janela horas a fio balouçando trémula sobre a fragilidade de um murmúrio trazido pelo vento.Olha a menina a dançar, olha a roleta a rolar-mistérios da sorte e do azar...Um ruido que se alastra, um silêncio...um grito;tudo se acelera a uma velocidade avassaladora,desprende se o corpo num movimento sem fim sobre o frémito escaldante do desejo.Vozes cintilantes percorrem furiosas o asfalto traçando mapas que um dia uma menina perdida no estranho labirinto das maravilhas...ousou criar..

Bruno F




website stats

sexta-feira, 23 de Novembro de 2007



Ela disse:

- Empresta-me um minuto do teu tempo.
(Esse tempo que vais catalogando em divisões, subdivisões, cronometrado ao milésimo de segundo para cada uma das tuas infinitas coisas importantes, essas coisas a que te emprestas a troco de... vácuo. Já não consigo encontrar a minha gaveta pequenina no armário do teu tempo...) Empresta-me um minuto de ti... Empresta-te-me..

Ele fechou o armário, parou o tempo.
Emprestou-lhe uma vida inteira.
________________________________________________________
« Tu disseste "quero saborear o infinito"
Eu disse "a frescura das maçãs matinais revela-nos segredos insondáveis"
Tu disseste "sentir a aragem que balança os dependurados"
Eu disse "é o medo o que nos vem acariciar"
Tu disseste "eu também já tive medo. muito medo. recusava-me a abrir a janela, a transpôr o limiar da porta"
Eu disse "acabamos a gostar do medo, do arrepio que nos suspende a fala"
Tu disseste "um dia fiquei sem nada. um mundo inteiro por descobrir"
Eu disse "..."
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"
Tu disseste "agora procuro o desígnio da vida. às vezes penso encontrá-lo num bater de asas, num murmúrio trazido pelo vento, no piscar de um néon. escrevo páginas e páginas a tentar formalizá-lo. depois queimo tudo e prossigo a minha busca"
Eu disse "eu não faço nada. fico horas a olhar para uma mancha na parede"
Tu disseste "e nunca sentiste a mancha a alastrar, as suas formas num palpitar quase imperceptível?"
Eu disse "não. a mancha continua no mesmo sítio, eu continuo a olhar para ela e não se passa nada"
Tu disseste "e no entanto a mancha alastra e toma conta de ti. liberta-te do corpo. tu é que não vês"
Eu disse "o que é que isso interessa?
"Tu disseste "...nada" »

Bruno F



quinta-feira, 22 de Novembro de 2007


"Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir
a despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão sutil... tão pòlen...
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis..."

José Gomes Ferreira

domingo, 18 de Novembro de 2007



«Deixem-me ser simbólico! Deixem-me dizer com ênfase que as azedas eram a liberdade. Sim , a Liberdade! A liberdade conquistada. A liberdade amarga e doce, obtida ontem como hoje, como amanhã, como sempre, à custa de sacrifícios sem nome: de zeros, ralhos, incompreensões, quartos escuros, puxões de orelhas, ponteiros nos dedos, reprovações, descomposturas da família, e caretas, muitas caretas, imensas caretas.
Mas, digam-me lá: onde estão as azedas da minha infância que nunca mais as vi? Onde crescem agora? Em que cantos de pátios em ruínas? Em que quintais perdidos ao pé de que nespereiras? Onde? Onde? Onde? Dêem-me azedas! Quero azedas. Tragam-me azedas. Quero morrer a fazer caretas

José Gomes Ferreira

A infância fugiu-me para lugar incerto, fugiu lado a lado com as azedas.
O amor veio e descobri que era como azedas... O mesmo sabor amargo e doce... Caretas... muitas caretas... lado a lado com sorrisos... muitos sorrisos.. e o gosto aos meus tempos de petiz.
website stats

quarta-feira, 7 de Novembro de 2007


"Todas as prendas que me deste, um dia,
Guardei-as, meu encanto, quase a medo,
E quando a noite espreita o pôr-do-sol,
Eu vou falar com elas em segredo ...

E falo-lhes d'amores e de ilusões,
Choro e rio com elas, mansamente...
Pouco a pouco o perfume do outrora
Flutua em volta delas, docemente ..."

Florbela Espanca

"Digam que foi mentira, que não sou ninguém,
que atravesso apenas ruas da cidade abandonada
fechada como boca onde não encontro nada:
não encontro respostas para tudo o que pergunto nem
na verdade pergunto coisas por aí além
Eu não vivi ali em tempo algum"

Ruy Belo

website stats

domingo, 4 de Novembro de 2007



website stats

terça-feira, 30 de Outubro de 2007


"Devemos andar sempre bêbados.
Tudo se resume nisto: é a única solução.
Para não sentires o tremendo fardo do Tempo que te despedaça os ombros e te verga para a terra, deves embriagar-te sem cessar.
Mas com quê?
Com vinho, com poesia ou com a virtude, a teu gosto.
Mas embriaga-te.
E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas duma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que se passou, a tudo o que gemeu, a tudo o que gira, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunta-lhes que horas são:
"São horas de te embriagares!"
Para não seres como os escravos martirizados do Tempo, embriaga-te, embriaga-te sem cessar!
Com vinho, com poesia, ou com a virtude, a teu gosto. "

Charles Baudelaire


E eu embriago minh'alma nas palavras, nos sonhos, nos universos imaginários que vou tecendo à minha volta, na música e em todas as coisas boas que vão desenhando meu ser..

Embriaguem-se!



website stats

quarta-feira, 24 de Outubro de 2007


Eu.. Possivelmente daqui a uns 90 anos... xD
Yeeeeeeeeah \m/
Are you ready?
website stats

sexta-feira, 19 de Outubro de 2007

"Que importa se a distância estende entre léguas e léguas

Que importa se existe entre nós muitas montanhas?

O mesmo céu nos cobre

E a mesma terra liga nossos pés.

No céu e na terra é a tua carne que palpita

Em tudo eu sinto e teu olhar se desdobrando.

Na carícia violenta do teu beijo,

Que importa a distância e que importa a montanha

Se és tu a extenção da carne

Sempre presente?"

(Vinícius de Moraes)


website stats

"Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua."

Sophia M B A

Saudades.
's. f.,
lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir'

Saudade... Discordo do dicionário de língua portuguesa.. As lembranças de ti não são tristes, são o contrário de tristes.. São boas, demasiado boas.. como algodão doce.. Algodão doce que só a pouco provei.. E foi exactamente como tu havias dito "Sabe a quilos de colestrol condensados num volume minúsculo a desfazer-se na boca" excessivamente doce e bom. As lembranças de ti não são suaves, são o contrário de suave.. São fundas.. São veias, capilares, são osso por dentro. As lembranças de ti são Algodão doce. Saudades. Saudades. Saudades.
S
a
u
d
a
d

e
s
.


website stats

quarta-feira, 17 de Outubro de 2007

segunda-feira, 15 de Outubro de 2007


"É divertido fazer as pessoas pararem por uns segundos para pensarem quanto vale a música. É uma pergunta interessante para colocar às pessoas"

http://www.inrainbows.com/
website stats

sábado, 13 de Outubro de 2007


"Deus criou o homem à sua imagem. Isso provavelmente significa: o homem criou Deus à sua própria imagem."

I've found.. E tu? Já O encontraste?

May God's love be with you
Always


website stats

quinta-feira, 11 de Outubro de 2007




Ontem perguntaram-me qual era o meu perfume preferido..
Respondi: ".. Hmmm Bolo acabado de sair do forno.."

Quase aposto que esse é o teu aroma.. bolo a sair do forno. a queimar as pontas dos dedos e tudo... :) :)

website stats

"Não há passos divergentes para quem se quer encontrar..."

Continuo a convergir para ti...
website stats

terça-feira, 19 de Junho de 2007



"Inúmeros degraus percorrer

sempre subindo, e alcançando

que mais não seja o horizonte

que à frente se esbate

onde as curvas de sua recta

no limiar do embate

chocam e vão,

vêm e se formam,

ficam, e são
os nossos sonhos predilectos."

Diogo MP


E lá vou eu aos trambolhões pelas escadas abaixo....
e depois aos trambolhões pelas escadas acima...
e de novo pelas escadas abaixo...
e outra vez...
e ainda mais uma...
e... puff.. fez-se o chocapic?
Enough.


website stats

quarta-feira, 13 de Junho de 2007


2 emb. natas (bate-se)
+
1 lata de leite condensado (juntar às natas batidas)

+
bolacha maria (ralar/picar e por por cima)
+
uma mesa com inúmeras folhas espalhadas + cadernos abertos + lápis roídos + computador
+
música
=
semi quase pseudo psicótico desespero de final de semestre atenuado por um gosto bem doce que se vai entranhando na língua (pudesses provar-me agora...) , a glicose fluindo para o sangue, a cada colher levada à boca, em câmara lenta, como nos filmes... nham...
+
respirar fundo
+
aumentar o volume da música
+
mergulho por entre as folhas, os cadernos, os lápis, o computador

website stats

terça-feira, 12 de Junho de 2007

"Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que todas as religiões não ensinam mais que a confeitaria."

Do not forget:
A sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária recomenda o consumo moderado deste tipo de metafísica e não esqueça a higiene oral, escovar sempre bem os dentinhos!!

Consumo moderado o tanas! Hei-de sempre filosofar assim até que ... hmm ... fique sem dentes? :[


website stats

sexta-feira, 8 de Junho de 2007



"...Quero voar e cair de muito alto!
Ser arremessado como uma granada..."

website stats

sexta-feira, 1 de Junho de 2007



"E eu estendo a mão devagar para condensar em realidade a tua imaterialização"

Fecho-te mias mãos.. Fecho-as com força.. Até sentir as unhas entranhadas nos ossos.
Arranco-te da alma. Arranco-te dos ossos. Do sangue. Das veias. De mia pele..
Imaterializo-te. Arremesso-te contra a tua imaterialização... Imaterializo-me.


'Spit the blood back and flash a warm red smile.'


quinta-feira, 31 de Maio de 2007



"If doors of perception were cleansed everything would appear to man as it is, infinite"

William Blake


Há muito que arranquei todas as mias portas... :)
website stats

sexta-feira, 25 de Maio de 2007




"nos pesadelos
os monstros às vezes temem que os olhemos de frente
que possamos apagar-lhes a sombra
ou acordá-los a meio da tarde
abrindo as portadas dos seus refúgios
deixando a luz avassaladora a cobrir-lhes o corpo
a queimar-lhes as pupilas remanescentes
como se fôssemos nós
os monstros
deles"
http://presadopadrepedro.blogspot.com/


Medo. A vida são constantes regressos. As ruas de todos os dias. Aos trabalhos de sempre. As mesmas casas. As pessoas que não conhecemos mas com quem nos vamos cruzando. As terras por onde vamos passando. Ao sol. À chuva. Aos fugazes momentos talhados de uma perfeição ilusória. Aos erros de sempre. Às mesmas dores de sempre. Às feridas que nunca cicatrizam por completo e que os regressos teimam em abrir ainda mais. Desisto. Desisto de tentar não regressar.

website stats

domingo, 22 de Abril de 2007




"A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fachada de marés, a sonho e lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.

Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.

E telhados de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta ao vento, as salas frias.

A minha casa. . . Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória."


Vitorino Nemésio


Home sweet home.... "Sou do tamanho do que vejo e não da mia altura..."
Pudesse eu ter sempre 7anos.. e elevar-me no vento.. rebolar na erva molhada... saltar nas poças de água.. deixar a chuva fria queimar-me o rosto.. entrando por meus poros.. senti-la debaixo da pele.. o cabelo molhado colado ao rosto... 'Vais ficar constipada'... 'Nao...' .. Ou olhar de frente o sol.. desafia-lo.. 'Queima-me... Deixa-me ser um raiozinho teu... consome-me' .. E atirar-me de cabeça contra a água da ribeira.. mergulho.. deixar-me ir ao fundo.. escuro.. procurar os meus próprios fundos.. pairar la em baixo.. sensação de voo... até que a água me puxasse para cima... voltar à vida.. abrir a boca e tentar inspirar toda a atmosfera terrestre.. tentar inspirar a Terra, o sistema solar, a via láctea e todo o universo.. sentir que existo.. ah... poder ser tudo de todas as maneiras
... terei sempre 7 anos.. prometo.





'O que queres que te diga se não sei nada e desaprendo? A minha paz é ignorar. Aprendo a não saber: que a ciência aprenda comigo já que não soube ensinar. Para que queres que te apareça se me agrada não ter horas a toda hora? A preguiça do céu entrou comigo e prescindo da realidade como ela prescinde de mim'

Almada Negreiros


Pudesse eu ignorar-me... "Tudo depende do que não existe".. Pudesse eu permanecer para sempre inerte deitada na pedra quente de meus dias olhando o céu azul fogo 'deixa-me fundir-me numa qualquer nuvem pequenina imperceptível aos humanos..' Pudesse eu cortar os últimos fios da ténue teia que ainda me liga a isso que chamam de humanidade. Pudesse eu cuspir os restos de realidade que ainda teimam em fluir nas mias veias. Pudesse eu Ser-Me...

website stats

terça-feira, 17 de Abril de 2007




'Nem sempre o Mistério está fora do alcance da mão, como o País estrangeiro. Por vezes ele viaja para ca, enconsta-se as decisões materiais de um dia vulgar; e surge, subita e absurdamente, no meio de uma acção do quotidiano. Descuidados, nessa altura, chamamos ao mistério erro e rapidamente o eliminamos.'


Por onde andarás tu mistério meu? ... Eu que passo a vida a errar... a errar-me.. mas os mistérios... hmmm... esses não os eliminarei.. por mais que doam...

quarta-feira, 6 de Dezembro de 2006



'Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te
vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me, pois chove miudinho

Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci
embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de nós vier hoje é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça'

Mário Cesariny. Estação

Às vezes parece que ainda te espero.. Às vezes parece que ainda te vejo de costas e corro a tapar-te os olhos .. Ainda te vejo emergir no meio dessa multidão de pessoas iguais.. às vezes ainda me arrepias.. às vezes ainda fico imóvel a ver-te partir no comboio.. "Desculpa ter ido embora logo ... Espera a próxima" rápido de mais.. à velocidade com que as fugazes ilusões se vão construindo e decaindo sem repararmos.... rápido de mais.. como desapareceste.. e não mais houve próxima como havias prometido.. às vezes ainda espero a próxima..

segunda-feira, 4 de Dezembro de 2006



"You are welcome to elsinore

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar
"

Mário Cesariny


Onde estão agora as palavras que nos ligaram..? Essas através das quais nos descobrimos... nos entregamos.. nos desejamos... que julguei terem quebrado a distância entre nós.. Essas que não mais ouvi de tua boca, de teus dedos... .. Palavras que ainda teimo em tatuar em rasgos de memória.. que fluíram de teus dedos para estas folhas espalhadas na mia mesa.. as folhas que me asseguram que foste real.. que não me permitem te odiar.. Porque é que te fechaste neste silêncio gélido, asfixiante? Como pude não te ser suficiente? Porque não disseste adeus? Porque me privas de tuas palavras? Era tudo tão mais simples se eu te odiasse...