segunda-feira, 24 de maio de 2010
segunda-feira, 17 de maio de 2010
sexta-feira, 7 de maio de 2010
quinta-feira, 6 de maio de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
sexta-feira, 30 de abril de 2010
terça-feira, 25 de novembro de 2008
segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Canção dos abraços
"São dois braços, são dois braços
servem pra dar um abraço
assim como quarto braços
servem para dar dois abraços
E assim por aí fora
até que quando for a hora
vão ser tantos os abraços
que não vão chegar os braços
Vão ser tantos os abraços
que não vão chegar os braços
prós abraços "
Sérgio Godinho
terça-feira, 11 de novembro de 2008

"Estava eu sentado, perto do mar, a ouvir com pouca atenção um amigo meu que falava arrebatadamente de um assunto qualquer, que me era apenas fastidioso. Sem ter consciência disso, pus-me a olhar para uma pequena quantidade de areia que entretanto apanhara com a mão; de súbito vi a beleza requintada de cada um daqueles pequenos grãos; apercebia-me de que cada pequena partícula, em vez de ser desinteressante, era feito de acordo com um padrão geométrico perfeito, com ângulos bem definidos, cada um deles dardejando uma luz intensa; cada um daqueles pequenos cristais tinha o brilho de um arco-íris... Os raios atravessavam-se uns aos outros, constituindo pequenos padrões, duma beleza tal que me deixava sem respiração... Foi então que, subitamente, a minha consciência como que se iluminou por dentro e percebi, duma forma viva, que todo o universo é feito de partículas de material, partículas que por mais desinteressantes ou desprovidas de vida que possam parecer, nunca deixam de estar carregadas daquela beleza intensa e vital. Durante um segundo ou dois, o mundo pareceu-me uma chama de glória. E uma vez extinta essa chama, ficou-me qualquer coisa que junca mais esqueci que me faz pensar constantemente na beleza que encerra cada um dos mais ínfimos fragmentos de matéria à nossa volta. "
Aldous Huxley
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
segunda-feira, 3 de novembro de 2008

segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.
Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.
A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.
Sophia de Mello Breyner
domingo, 12 de outubro de 2008
quarta-feira, 16 de julho de 2008

Ontem
Andámos
Olha
O Público
Não faz mal abracem-me
quinta-feira, 29 de maio de 2008
terça-feira, 1 de abril de 2008

Gosto de caminhar assim, de olhos fechados, a teu lado.
Abraço a tua mão, bússola na mia mão.
Os meus passos percorrendo o mapa de teus passos.
De olhos fechados, com a mia mão na tua, sigo o trilho da tua respiração por todas as ruas de todas as terras, faço todas as viagens possíveis e impossíveis de imaginar nas linhas dos teus dedos..
De olhos fechados deixo-me voar, à deriva, no vento que me afaga o rosto e que me leva para além da atmosfera terrestre..
De olhos fechados sinto à mia volta o teu perfume de espuma das ondas de todos os mares, misturada com sal e areia fina.. E embarcamos no nosso barquinho à vela, à deriva pelo azul de nós..
Vejo muito mais de olhos fechados do que todos os olhos que olham..
domingo, 17 de fevereiro de 2008
“Nenhum de nós sabe o que existe e o que não existe.
Vivemos de palavras. Vamos até à cova com palavras.
Submetem-nos, subjugam-nos.
Pesam toneladas, têm a espessura de montanhas.
São as palavras que nos contêm, são as palavras que nos conduzem.
Mas há momentos em que cada um redobra de proporções,
há momentos em que a vida se me afigura iluminada por outra claridade.
Há momentos em que cada um grita:
Eu não vivi! Eu não vivi! Eu não vivi!
Há momentos em que deparamos com outra figura maior, que nos mete medo.
A vida é só isto? “
Raul Brandão
sábado, 16 de fevereiro de 2008
"Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
Fernando Pessoa
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Na melancolia de teus olhos
Eu sinto a noite se inclinar
E ouço as cantigas antigas
Do mar.
Nos frios espaços de teus braços
Eu me perco em carícias de água
E durmo escutando em vão
O silêncio.
E anseio em teu misterioso seio
Na atonia das ondas redondas
Náufrago entregue ao fluxo forte
Da morte.
Vinicius de Moraes
domingo, 20 de janeiro de 2008
He remembers forgotten beauty - "When my arms wrap you round I press
- My heart upon the loveliness
- That has long faded from the world;
- The jewelled crowns that kings have hurled
- In shadowy pools, when armies fled;
- The love-tales wrought with silken thread
- By dreaming ladies upon cloth
- That has made fat the murderous moth;
- The roses that of old time were
- Woven by ladies in their hair,
- The dew-cold lilies ladies bore
- Through many a sacred corridor
- Where such grey clouds of incense rose
- That only God's eyes did not close:
- For that pale breast and lingering hand
- Come from a more dream-heavy land,
- A more dream-heavy hour than this;
- And when you sigh from kiss to kiss
- I hear white Beauty sighing, too,
- For hours when all must fade like dew,
- But flame on flame, and deep on deep,
- Throne over throne where in half sleep,
- Their swords upon their iron knees,
- Brood her high lonely mysteries."
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
" Era uma vez...um menino solitário k habitava os oceanos á noite e de dia sonhava com desertos.Nao interessava se era noite ou dia, era a vertigem que o alimentava...
Percorria as profundezas ao infimo pormenor para depois incorporar uma leveza tal que lhe possibilitasse o deslize, a uma velocidade estonteante, pela superficie aguçada das coisas e das palavras, dos sons. Depois ouviram no contar histórias, curiosamente começava sempre pelo fim, os ultimos boatos dizem no louco, parece que se encantou pela beleza de um cordão de sapatos e pela espantosa clareza do abismo. foi visto pela ultima vez nos confins da América do sul. "
Bruno F
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Algures nos confins da América do sul viveu feliz para sempre.
A menina andava sempre descalça, tinha um vestido tecido com cordões de sapatos e era luz no Abismo.Ouvia o eco dizer-lhe que ela vivia no fim das histórias contadas por um menino que as pessoas que se esqueceram dos sonhos diziam louco. A cada segundo precipitava o seu corpo, ora para um lado, ora para o outro, e nesses voos vertiginosos percorria a tela das profundezas do seu ser e ia retocando a pintura da essência aguçada das suas coisas, palavras, sons.E o fora e o dentro misturavam-se, confundiam-se, espelhavam-se numa linha de horizonte que era uma janela, que era a menina. Do lado de dentro via a noite habitada por oceanos e do lado de fora via dias habitados por desertos.
Era uma vez... uma menina solitária que habitava um parapeito de uma janela.
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Era uma vez...muitas vezes,uma menina solitária que habitava um parapeito de uma janela horas a fio balouçando trémula sobre a fragilidade de um murmúrio trazido pelo vento.Olha a menina a dançar, olha a roleta a rolar-mistérios da sorte e do azar...Um ruido que se alastra, um silêncio...um grito;tudo se acelera a uma velocidade avassaladora,desprende se o corpo num movimento sem fim sobre o frémito escaldante do desejo.Vozes cintilantes percorrem furiosas o asfalto traçando mapas que um dia uma menina perdida no estranho labirinto das maravilhas...ousou criar..








