domingo, 20 de janeiro de 2008

He remembers forgotten beauty
      "When my arms wrap you round I press
      My heart upon the loveliness
      That has long faded from the world;
      The jewelled crowns that kings have hurled
      In shadowy pools, when armies fled;
      The love-tales wrought with silken thread
      By dreaming ladies upon cloth
      That has made fat the murderous moth;
      The roses that of old time were
      Woven by ladies in their hair,
      The dew-cold lilies ladies bore
      Through many a sacred corridor
      Where such grey clouds of incense rose
      That only God's eyes did not close:
      For that pale breast and lingering hand
      Come from a more dream-heavy land,
      A more dream-heavy hour than this;
      And when you sigh from kiss to kiss
      I hear white Beauty sighing, too,
      For hours when all must fade like dew,
      But flame on flame, and deep on deep,
      Throne over throne where in half sleep,
      Their swords upon their iron knees,
      Brood her high lonely mysteries."
W. B. Yeats

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

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" O meu amor por ti já não é uma palavra:
Nunca o foi
É um osso por dentro.
Uma forma de o sangue chegar aos gestos
Com um ritmo de flores.
Outra lua não tenho
Que não seja a tua.
E outra noite não quero
Que não seja a tua noite.
Eu coleccionarei os teus morcegos:
Farei deles estrelas ao contrário. "
" Era uma vez...um menino solitário k habitava os oceanos á noite e de dia sonhava com desertos.
Nao interessava se era noite ou dia, era a vertigem que o alimentava...
Percorria as profundezas ao infimo pormenor para depois incorporar uma leveza tal que lhe possibilitasse o deslize, a uma velocidade estonteante, pela superficie aguçada das coisas e das palavras, dos sons. Depois ouviram no contar histórias, curiosamente começava sempre pelo fim, os ultimos boatos dizem no louco, parece que se encantou pela beleza de um cordão de sapatos e pela espantosa clareza do abismo. foi visto pela ultima vez nos confins da América do sul. "

Bruno F
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Algures nos confins da América do sul viveu feliz para sempre.

A menina andava sempre descalça, tinha um vestido tecido com cordões de sapatos e era luz no Abismo.Ouvia o eco dizer-lhe que ela vivia no fim das histórias contadas por um menino que as pessoas que se esqueceram dos sonhos diziam louco. A cada segundo precipitava o seu corpo, ora para um lado, ora para o outro, e nesses voos vertiginosos percorria a tela das profundezas do seu ser e ia retocando a pintura da essência aguçada das suas coisas, palavras, sons.E o fora e o dentro misturavam-se, confundiam-se, espelhavam-se numa linha de horizonte que era uma janela, que era a menina. Do lado de dentro via a noite habitada por oceanos e do lado de fora via dias habitados por desertos.

Era uma vez... uma menina solitária que habitava um parapeito de uma janela.
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Era uma vez...muitas vezes,uma menina solitária que habitava um parapeito de uma janela horas a fio balouçando trémula sobre a fragilidade de um murmúrio trazido pelo vento.Olha a menina a dançar, olha a roleta a rolar-mistérios da sorte e do azar...Um ruido que se alastra, um silêncio...um grito;tudo se acelera a uma velocidade avassaladora,desprende se o corpo num movimento sem fim sobre o frémito escaldante do desejo.Vozes cintilantes percorrem furiosas o asfalto traçando mapas que um dia uma menina perdida no estranho labirinto das maravilhas...ousou criar..

Bruno F




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sexta-feira, 23 de novembro de 2007



Ela disse:

- Empresta-me um minuto do teu tempo.
(Esse tempo que vais catalogando em divisões, subdivisões, cronometrado ao milésimo de segundo para cada uma das tuas infinitas coisas importantes, essas coisas a que te emprestas a troco de... vácuo. Já não consigo encontrar a minha gaveta pequenina no armário do teu tempo...) Empresta-me um minuto de ti... Empresta-te-me..

Ele fechou o armário, parou o tempo.
Emprestou-lhe uma vida inteira.
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« Tu disseste "quero saborear o infinito"
Eu disse "a frescura das maçãs matinais revela-nos segredos insondáveis"
Tu disseste "sentir a aragem que balança os dependurados"
Eu disse "é o medo o que nos vem acariciar"
Tu disseste "eu também já tive medo. muito medo. recusava-me a abrir a janela, a transpôr o limiar da porta"
Eu disse "acabamos a gostar do medo, do arrepio que nos suspende a fala"
Tu disseste "um dia fiquei sem nada. um mundo inteiro por descobrir"
Eu disse "..."
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"
Tu disseste "agora procuro o desígnio da vida. às vezes penso encontrá-lo num bater de asas, num murmúrio trazido pelo vento, no piscar de um néon. escrevo páginas e páginas a tentar formalizá-lo. depois queimo tudo e prossigo a minha busca"
Eu disse "eu não faço nada. fico horas a olhar para uma mancha na parede"
Tu disseste "e nunca sentiste a mancha a alastrar, as suas formas num palpitar quase imperceptível?"
Eu disse "não. a mancha continua no mesmo sítio, eu continuo a olhar para ela e não se passa nada"
Tu disseste "e no entanto a mancha alastra e toma conta de ti. liberta-te do corpo. tu é que não vês"
Eu disse "o que é que isso interessa?
"Tu disseste "...nada" »

Bruno F




"Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir
a despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão sutil... tão pòlen...
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis..."

José Gomes Ferreira

domingo, 18 de novembro de 2007



«Deixem-me ser simbólico! Deixem-me dizer com ênfase que as azedas eram a liberdade. Sim , a Liberdade! A liberdade conquistada. A liberdade amarga e doce, obtida ontem como hoje, como amanhã, como sempre, à custa de sacrifícios sem nome: de zeros, ralhos, incompreensões, quartos escuros, puxões de orelhas, ponteiros nos dedos, reprovações, descomposturas da família, e caretas, muitas caretas, imensas caretas.
Mas, digam-me lá: onde estão as azedas da minha infância que nunca mais as vi? Onde crescem agora? Em que cantos de pátios em ruínas? Em que quintais perdidos ao pé de que nespereiras? Onde? Onde? Onde? Dêem-me azedas! Quero azedas. Tragam-me azedas. Quero morrer a fazer caretas!»

José Gomes Ferreira

A infância fugiu-me para lugar incerto, fugiu lado a lado com as azedas.
O amor veio e descobri que era como azedas... O mesmo sabor amargo e doce... Caretas... muitas caretas... lado a lado com sorrisos... muitos sorrisos.. e o gosto aos meus tempos de petiz.
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quinta-feira, 8 de novembro de 2007


"Todas as prendas que me deste, um dia,
Guardei-as, meu encanto, quase a medo,
E quando a noite espreita o pôr-do-sol,
Eu vou falar com elas em segredo ...

E falo-lhes d'amores e de ilusões,
Choro e rio com elas, mansamente...
Pouco a pouco o perfume do outrora
Flutua em volta delas, docemente ..."

Florbela Espanca

quarta-feira, 7 de novembro de 2007


"Digam que foi mentira, que não sou ninguém,
que atravesso apenas ruas da cidade abandonada
fechada como boca onde não encontro nada:
não encontro respostas para tudo o que pergunto nem
na verdade pergunto coisas por aí além
Eu não vivi ali em tempo algum"

Ruy Belo

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segunda-feira, 5 de novembro de 2007

terça-feira, 30 de outubro de 2007


"Devemos andar sempre bêbados.
Tudo se resume nisto: é a única solução.
Para não sentires o tremendo fardo do Tempo que te despedaça os ombros e te verga para a terra, deves embriagar-te sem cessar.
Mas com quê?
Com vinho, com poesia ou com a virtude, a teu gosto.
Mas embriaga-te.
E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas duma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que se passou, a tudo o que gemeu, a tudo o que gira, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunta-lhes que horas são:
"São horas de te embriagares!"
Para não seres como os escravos martirizados do Tempo, embriaga-te, embriaga-te sem cessar!
Com vinho, com poesia, ou com a virtude, a teu gosto. "

Charles Baudelaire


E eu embriago minh'alma nas palavras, nos sonhos, nos universos imaginários que vou tecendo à minha volta, na música e em todas as coisas boas que vão desenhando meu ser..

Embriaguem-se!



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quarta-feira, 24 de outubro de 2007


Eu.. Possivelmente daqui a uns 90 anos... xD
Yeeeeeeeeah \m/
Are you ready?
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sexta-feira, 19 de outubro de 2007

"Que importa se a distância estende entre léguas e léguas

Que importa se existe entre nós muitas montanhas?

O mesmo céu nos cobre

E a mesma terra liga nossos pés.

No céu e na terra é a tua carne que palpita

Em tudo eu sinto e teu olhar se desdobrando.

Na carícia violenta do teu beijo,

Que importa a distância e que importa a montanha

Se és tu a extenção da carne

Sempre presente?"

(Vinícius de Moraes)


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"Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua."

Sophia M B A

Saudades.
's. f.,
lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir'

Saudade... Discordo do dicionário de língua portuguesa.. As lembranças de ti não são tristes, são o contrário de tristes.. São boas, demasiado boas.. como algodão doce.. Algodão doce que só a pouco provei.. E foi exactamente como tu havias dito "Sabe a quilos de colestrol condensados num volume minúsculo a desfazer-se na boca" excessivamente doce e bom. As lembranças de ti não são suaves, são o contrário de suave.. São fundas.. São veias, capilares, são osso por dentro. As lembranças de ti são Algodão doce. Saudades. Saudades. Saudades.
S
a
u
d
a
d

e
s
.


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quarta-feira, 17 de outubro de 2007

segunda-feira, 15 de outubro de 2007


"É divertido fazer as pessoas pararem por uns segundos para pensarem quanto vale a música. É uma pergunta interessante para colocar às pessoas"

http://www.inrainbows.com/
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sábado, 13 de outubro de 2007


"Deus criou o homem à sua imagem. Isso provavelmente significa: o homem criou Deus à sua própria imagem."

I've found.. E tu? Já O encontraste?

May God's love be with you
Always


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quinta-feira, 11 de outubro de 2007




Ontem perguntaram-me qual era o meu perfume preferido..
Respondi: ".. Hmmm Bolo acabado de sair do forno.."

Quase aposto que esse é o teu aroma.. bolo a sair do forno. a queimar as pontas dos dedos e tudo... :) :)

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"Não há passos divergentes para quem se quer encontrar..."

Continuo a convergir para ti...
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terça-feira, 19 de junho de 2007



"Inúmeros degraus percorrer

sempre subindo, e alcançando

que mais não seja o horizonte

que à frente se esbate

onde as curvas de sua recta

no limiar do embate

chocam e vão,

vêm e se formam,

ficam, e são
os nossos sonhos predilectos."

Diogo MP


E lá vou eu aos trambolhões pelas escadas abaixo....
e depois aos trambolhões pelas escadas acima...
e de novo pelas escadas abaixo...
e outra vez...
e ainda mais uma...
e... puff.. fez-se o chocapic?
Enough.


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quarta-feira, 13 de junho de 2007


2 emb. natas (bate-se)
+
1 lata de leite condensado (juntar às natas batidas)

+
bolacha maria (ralar/picar e por por cima)
+
uma mesa com inúmeras folhas espalhadas + cadernos abertos + lápis roídos + computador
+
música
=
semi quase pseudo psicótico desespero de final de semestre atenuado por um gosto bem doce que se vai entranhando na língua (pudesses provar-me agora...) , a glicose fluindo para o sangue, a cada colher levada à boca, em câmara lenta, como nos filmes... nham...
+
respirar fundo
+
aumentar o volume da música
+
mergulho por entre as folhas, os cadernos, os lápis, o computador

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terça-feira, 12 de junho de 2007

"Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que todas as religiões não ensinam mais que a confeitaria."

Do not forget:
A sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária recomenda o consumo moderado deste tipo de metafísica e não esqueça a higiene oral, escovar sempre bem os dentinhos!!

Consumo moderado o tanas! Hei-de sempre filosofar assim até que ... hmm ... fique sem dentes? :[


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sexta-feira, 8 de junho de 2007



"...Quero voar e cair de muito alto!
Ser arremessado como uma granada..."

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sexta-feira, 1 de junho de 2007



"E eu estendo a mão devagar para condensar em realidade a tua imaterialização"

Fecho-te mias mãos.. Fecho-as com força.. Até sentir as unhas entranhadas nos ossos.
Arranco-te da alma. Arranco-te dos ossos. Do sangue. Das veias. De mia pele..
Imaterializo-te. Arremesso-te contra a tua imaterialização... Imaterializo-me.


'Spit the blood back and flash a warm red smile.'


quinta-feira, 31 de maio de 2007



"If doors of perception were cleansed everything would appear to man as it is, infinite"

William Blake


Há muito que arranquei todas as mias portas... :)
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sábado, 26 de maio de 2007




"nos pesadelos
os monstros às vezes temem que os olhemos de frente
que possamos apagar-lhes a sombra
ou acordá-los a meio da tarde
abrindo as portadas dos seus refúgios
deixando a luz avassaladora a cobrir-lhes o corpo
a queimar-lhes as pupilas remanescentes
como se fôssemos nós
os monstros
deles"
http://presadopadrepedro.blogspot.com/


Medo. A vida são constantes regressos. As ruas de todos os dias. Aos trabalhos de sempre. As mesmas casas. As pessoas que não conhecemos mas com quem nos vamos cruzando. As terras por onde vamos passando. Ao sol. À chuva. Aos fugazes momentos talhados de uma perfeição ilusória. Aos erros de sempre. Às mesmas dores de sempre. Às feridas que nunca cicatrizam por completo e que os regressos teimam em abrir ainda mais. Desisto. Desisto de tentar não regressar.

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segunda-feira, 23 de abril de 2007




"A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fachada de marés, a sonho e lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.

Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.

E telhados de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta ao vento, as salas frias.

A minha casa. . . Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória."


Vitorino Nemésio


Home sweet home.... "Sou do tamanho do que vejo e não da mia altura..."
Pudesse eu ter sempre 7anos.. e elevar-me no vento.. rebolar na erva molhada... saltar nas poças de água.. deixar a chuva fria queimar-me o rosto.. entrando por meus poros.. senti-la debaixo da pele.. o cabelo molhado colado ao rosto... 'Vais ficar constipada'... 'Nao...' .. Ou olhar de frente o sol.. desafia-lo.. 'Queima-me... Deixa-me ser um raiozinho teu... consome-me' .. E atirar-me de cabeça contra a água da ribeira.. mergulho.. deixar-me ir ao fundo.. escuro.. procurar os meus próprios fundos.. pairar la em baixo.. sensação de voo... até que a água me puxasse para cima... voltar à vida.. abrir a boca e tentar inspirar toda a atmosfera terrestre.. tentar inspirar a Terra, o sistema solar, a via láctea e todo o universo.. sentir que existo.. ah... poder ser tudo de todas as maneiras
... terei sempre 7 anos.. prometo.





'O que queres que te diga se não sei nada e desaprendo? A minha paz é ignorar. Aprendo a não saber: que a ciência aprenda comigo já que não soube ensinar. Para que queres que te apareça se me agrada não ter horas a toda hora? A preguiça do céu entrou comigo e prescindo da realidade como ela prescinde de mim'

Almada Negreiros


Pudesse eu ignorar-me... "Tudo depende do que não existe".. Pudesse eu permanecer para sempre inerte deitada na pedra quente de meus dias olhando o céu azul fogo 'deixa-me fundir-me numa qualquer nuvem pequenina imperceptível aos humanos..' Pudesse eu cortar os últimos fios da ténue teia que ainda me liga a isso que chamam de humanidade. Pudesse eu cuspir os restos de realidade que ainda teimam em fluir nas mias veias. Pudesse eu Ser-Me...

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quarta-feira, 18 de abril de 2007




'Nem sempre o Mistério está fora do alcance da mão, como o País estrangeiro. Por vezes ele viaja para ca, enconsta-se as decisões materiais de um dia vulgar; e surge, subita e absurdamente, no meio de uma acção do quotidiano. Descuidados, nessa altura, chamamos ao mistério erro e rapidamente o eliminamos.'


Por onde andarás tu mistério meu? ... Eu que passo a vida a errar... a errar-me.. mas os mistérios... hmmm... esses não os eliminarei.. por mais que doam...

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006



'Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te
vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me, pois chove miudinho

Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci
embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de nós vier hoje é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça'

Mário Cesariny. Estação

Às vezes parece que ainda te espero.. Às vezes parece que ainda te vejo de costas e corro a tapar-te os olhos .. Ainda te vejo emergir no meio dessa multidão de pessoas iguais.. às vezes ainda me arrepias.. às vezes ainda fico imóvel a ver-te partir no comboio.. "Desculpa ter ido embora logo ... Espera a próxima" rápido de mais.. à velocidade com que as fugazes ilusões se vão construindo e decaindo sem repararmos.... rápido de mais.. como desapareceste.. e não mais houve próxima como havias prometido.. às vezes ainda espero a próxima..

terça-feira, 5 de dezembro de 2006



"You are welcome to elsinore

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar
"

Mário Cesariny


Onde estão agora as palavras que nos ligaram..? Essas através das quais nos descobrimos... nos entregamos.. nos desejamos... que julguei terem quebrado a distância entre nós.. Essas que não mais ouvi de tua boca, de teus dedos... .. Palavras que ainda teimo em tatuar em rasgos de memória.. que fluíram de teus dedos para estas folhas espalhadas na mia mesa.. as folhas que me asseguram que foste real.. que não me permitem te odiar.. Porque é que te fechaste neste silêncio gélido, asfixiante? Como pude não te ser suficiente? Porque não disseste adeus? Porque me privas de tuas palavras? Era tudo tão mais simples se eu te odiasse...